
O Partido Comunista Português (PCP) promoveu na Assembleia Figueirense, na Figueira da Foz, o debate intitulado “O Mondego e as margens que oprimem”. A iniciativa reuniu especialistas, investigadores e dirigentes partidários com o objetivo de debater a defesa do rio Mondego, a gestão da água pública e os impactos ambientais e industriais na região.
Intervenções e radiografia da bacia

O encontro abriu com a intervenção de Vladimiro Vale (do Secretariado e da Comissão Política do PCP), que alertou para as consequências de anos de políticas que reduziram os meios, trabalhadores e competências das estruturas públicas de gestão de albufeiras e obras hidráulicas.
O professor e investigador Fernando Seabra Santos analisou a gestão das obras hidráulicas no Baixo Mondego, destacando: A necessidade de reparar os diques e concluir as infraestruturas pendentes. A regularização das fozes do Ega, do Arunca e do Foja. A conclusão dos leitos periféricos Norte e Sul, a construção da Estação Elevatória de Lares e a Barragem de Girabolhos. A criação de uma unidade de gestão dedicada a toda a bacia hidrográfica.

Por sua vez, a professora e investigadora Elisabete Marchante focou-se na proliferação de espécies invasoras e no desequilíbrio dos ecossistemas fluviais, defendendo a prevenção, a identificação precoce, a sensibilização das comunidades e o uso de espécies autóctones.

O professor e investigador Hermínio Sousa chamou a atenção para o planeamento industrial na região, exigindo avaliações de impacto ambiental individuais e cumulativas, balanços hídricos transparentes e maior acesso público à informação sobre os consumos de água das indústrias.

Alertas sobre poluição e licenciamentos

Na voz de Adelaide Gonçalves, o partido denunciou especificamente a construção da unidade industrial Bioadvance, na Figueira da Foz, sem licenciamento adequado.
O debate serviu ainda para submeter a Alerta outros problemas ecológicos no distrito e zonas limítrofes: Casos de poluição industrial em cursos de água como o Rio Cobral (Oliveira do Hospital). A perda do galardão Bandeira Azul em várias praias fluviais da Lousã, associada a lacunas no saneamento básico e no tratamento de efluentes agropecuários. A proliferação de projetos de prospecção e exploração mineral e a expansão de áreas construtivas junto às margens fluviais. No encerramento, os participantes reafirmaram a urgência em concluir a obra hidroagrícola do Baixo Mondego e de instalar comportas na foz do Rio Pranto para travar a intrusão salina.








